Neste mês, a Conferência de Crescimento do E-commerce de Conteúdo da América Latina foi realizada com sucesso no Centro Lehui, em Longgang, Shenzhen. O evento reuniu profissionais do comércio eletrônico transfronteiriço interessados em expandir suas operações para a América Latina, criando uma plataforma de alto nível para troca de experiências, aprendizado e cooperação.

Durante a conferência, especialistas do setor compartilharam análises aprofundadas sobre as tendências do e-commerce latino-americano, casos práticos de operação e novas oportunidades de crescimento, com destaque especial para o mercado brasileiro.

Brasil: o principal campo de batalha do e-commerce na América Latina

Como coorganizadora do evento, a LinsGeek contou com a presença de seu CEO, o sino-brasileiro LIN LEANDRO, que subiu ao palco para apresentar a palestra principal. Com base em sua ampla experiência no mercado brasileiro de e-commerce, ele trouxe uma visão prática e estratégica sobre como empresas chinesas podem entrar e se consolidar no Brasil.

A apresentação foi estruturada em cinco dimensões centrais:

• o panorama atual do mercado brasileiro,

• as principais plataformas de e-commerce,

• o comportamento e as características de consumo locais,

• a reforma tributária em andamento,

• e as estratégias de entrada e localização no mercado.

“O Brasil, como a maior economia da América Latina, é um mercado estratégico que as empresas chinesas não podem ignorar”, destacou LIN LEANDRO.“Aproveitar a janela de oportunidades do Brasil significa garantir uma posição sólida em toda a América Latina.”

Um mercado em rápido crescimento, sustentado por bases sólidas

De acordo com dados recentes do setor, o e-commerce brasileiro mantém um ritmo acelerado de crescimento. A expectativa é que, até 2026, o volume total do mercado alcance R$ 260 bilhões.

Esse crescimento não é casual. Ele é sustentado por uma série de vantagens estruturais claras:
uma grande base populacional,
alta taxa de penetração da internet,
uma classe média expressiva — que representa mais da metade da população —
e uma estrutura etária jovem, que mantém o consumo ativo e dinâmico.

Estima-se que o número de compradores online no Brasil ultrapasse 96,87 milhões, cobrindo mais da metade da população nacional. Esses indicadores consolidam o país como a verdadeira “estrela do e-commerce na América do Sul”.Onde os vendedores chineses encontram vantagem competitiva

Diante de um mercado tão amplo, surge a pergunta: como os vendedores de e-commerce transfronteiriço devem aproveitar essa oportunidade?

Sob a perspectiva única de alguém que transita entre a China e o Brasil, LIN LEANDRO analisou o perfil dos consumidores brasileiros e seus hábitos de compra. Ele destacou que empresas chinesas possuem vantagens naturais em três aspectos-chave:
cadeias de suprimento altamente eficientes,
experiência madura em operações de e-commerce,
e sistemas logísticos cada vez mais estruturados.

Esses fatores permitem atender o mercado brasileiro com forte competitividade em termos de custo-benefício, capacidade produtiva e diversidade de categorias, desde que haja uma estratégia de localização bem executada.

Conformidade fiscal: um desafio que não pode ser ignorado

Um dos pontos de maior destaque da palestra foi a complexidade tributária do Brasil. LIN LEANDRO alertou que a conformidade fiscal não é opcional, mas sim um requisito básico para operações sustentáveis no país.

“O Brasil é conhecido por sua alta complexidade tributária. Adaptar-se à reforma do IBS e da CBS é uma obrigação para qualquer empresa que deseje operar de forma regular e segura.”

Ele explicou que a reforma tributária brasileira introduz dois novos impostos:
o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que unifica tributos estaduais e municipais,
e
o CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), que unifica tributos federais.

O novo modelo adota um sistema de IVA dual, com alíquota máxima estimada em 26,5%. A transição ocorrerá ao longo de sete anos:
2026 será o ano de testes,
a cobrança efetiva começa em 2027,
e a substituição completa do sistema atual está prevista para 2033.

Localização é estratégia, não cópia

Encerrando sua apresentação, LIN LEANDRO resumiu as principais ações para empresas chinesas entrarem com sucesso no mercado brasileiro. Entre os pontos-chave estão:
a constituição de uma empresa local,
a obtenção das principais certificações de produtos,
a integração logística e o desembaraço aduaneiro,
e a adoção de modelos de estoque no exterior e fulfillment.

“Localização não é simplesmente copiar um modelo existente, mas adaptar toda a cadeia de suprimentos, operações e conformidade ao mercado local”, concluiu.

Por fim, LIN LEANDRO desejou que cada vendedor de e-commerce transfronteiriço que busca expandir para o exterior consiga encontrar no Brasil não apenas um novo mercado, mas uma base sólida para crescimento de longo prazo e resultados consistentes.